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Imperfeição, teu nome é beleza!

13/02/2013

Quem leu a Elle desse mês pode já ter se deparado com esse texto da Renata Piza. Eu particularmente gostei tanto que decidi compartilhar ele aqui com vocês, para os que já leram, para os que não compram a revista ou até mesmo para quem pula esse tipo de matéria! Para “começar” bem a semana, espero que gostem!

Lovisa-Burfit_3

“Pode ser culpa da avalanche de Photoshop e filtros das fotos modernas, dos comerciais de margarina da década de 1990 ou simplesmente da vontade inerente ao ser humano de querer ser super, perfeito. Super-homem, supermulher, supertudo. Independentemente do vilão da neura nossa de cada dia, a verdade é que as pessoas se desacostumaram a ver a beleza das coisas como elas são – imperfeitas e, por isso mesmo, verdadeiras. Existe uma expressão em japonês para isso. Wabi-sabi celebra a beleza do imperfeito, do inacabado, tal qual a natureza é. Existe ainda um verso de Leonardo Cohen que resume poeticamente o que é impossível negar: ‘There is a crack in everything, that’s how the light gets in’. Em tradução livre: ‘Há uma rachadura em tudo, é assim que a luz entra’. Tirando exceções aqui e acolá – alguns designers que trabalham com o inacabado ou desafiam o senso comum das proporções corporais, vide Rei Kawakubo -, a verdade é que o ser humano hoje parece fadado a ver a vida retocada, e não como ela é – Nelson Rodrigues deve estar se revirando no túmulo! Pegue como exemplo a fotografia de moda atual. Juergen Teller, um dos poucos na ativa que remam contra a corrente do retoque em excesso, é tachado de cru, e isso não é exatamente um elogio para as pessoas que o chama assim. Terry Richardson e Mario Testino, com seus snapshots, são outros que mesmo no alto panteão da moda são apontados vez ou outra com um adjetivo nada promissor: ‘pobrinhos’, como se a fotografia ‘crua’  não exigisse profundo domínio técnico. Aparentemente, fotos sem grandes efeitos pós-produção não encantam tanto – e dá até para entender em parte, já que a moda muitas vezes lida com sonho, e não com realidade. O xis da questão é que deveríamos começar a aprender – e ensinar – que a realidade pode, muitas vezes, ser melhor do que o próprio sonho, do que a idealização que nos atormenta e nos impede de enxergar. Os filtros do Insta deixam todos os momentos da vida lindos nas redes sociais. Mas, do lado de fora da tela, as coisas não brilham tanto. Ainda bem. Renata Piza”

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